O desafio de empreender

São Paulo/SP, 14 de Fevereiro de 2016

Sem sombra de dúvidas, está diante de mim o maior desafio da minha vida e gostaria de registrar o que isso significa e um pouco mais do meu processo de preparação até aqui. A primeira pergunta que as pessoas me fazem quando digo que resolvi empreender é: Como você está se mantendo nesse meio tempo até seu negócio começar a dar resultados? Percebo que é a maior preocupação de todos e isso me faz refletir sobre o perfil ideal de um empreendedor de primeira viagem, que eu me arrisco a descrever abaixo ao mesmo tempo que realizo uma autoavaliação também. Essas reflexões são grande parte em como decidi empreender!

Existe idade certa para empreender? Eu não acredito que tenha uma idade mínima para começar. Mark Zuckerberg começou o Facebook durante a universidade e hoje é uma das pessoas mais bem sucedidas do mundo. Porém, ele tinha uma equipe muito forte e estava muito bem orientado em uma das melhores universidades do mundo. Acredito que nessas condições é possível empreender mais cedo e tomar o risco, histórias variam muito. Mas ao mesmo tempo, eu sei de muitas pessoas que saíram da faculdade e se apressaram em empreender. Eles erraram demais até aprender, erros amadores que eu não repetiria mesmo se não soubesse da história deles antes. Portanto, acredito que ter trabalhado pelo menos 5 anos em grandes empresas antes de iniciar o negócio próprio é uma grande vantagem, encurta caminhos e minimiza a chance de cometer erros básicos de pessoas sem experiência profissional. Pensando nessa linha, acredito que por volta de 25-30 anos seria uma idade mínima recomendada para iniciar – então com 28 eu estaria dentro! rs Um outro lado bom de já ter uma experiência profissional relevante é que, se for necessário, a recolocação no mercado de trabalho é muito mais suave, mesmo em tempos de crise econômica.

Quais as condições familiares para empreender? Conheço muita gente com alto poder empreendedor mas que por ter uma estrutura familiar formada, com esposa e filhos, não pode arriscar tudo no estilo ‘all in’ para empreender. Família é sempre benção, sonho em ter uma, mas para um empreendedor de primeira viagem é uma pressão muito grande que pode atrapalhar a concentração do negócio nas fases iniciais. Como me mantive solteiro até agora (claro que por opção! rs), para mim é menos arriscado uma vez que eu não tenho ninguém dependendo da minha provisão. Se tudo der errado, o máximo que pode acontecer é eu voltar para o mercado de trabalho e começo tudo de novo. Estou mais confortável nessa questão do que se eu fosse um pai de família. Isso não quer dizer que se você for um pai de família, não deve empreender, mas quer dizer que você está arriscando mais do que eu.

Oficina ministrada no Business Track do Urbana nos EUA, ótimo para novos empreendedores aprenderem sobre erros de quem já tentou - Dez/2015
Oficina ministrada no Business Track do Urbana nos EUA, ótimo para novos empreendedores aprenderem sobre erros de quem já tentou – Dez/2015

Qual a condição financeira ideal para empreender? Nesse ponto existem várias formas e muitos empreendedores recorrem para o modelo FFF (Family, Friends and Folks). São pessoas da sua família ou amigos que compram a sua ideia antes de você ter um protótipo do que você realmente quer fazer. Elas apoiam o seu sonho e te incentivam, muitas vezes financeiramente. No meu caso, consegui me planejar financeiramente em um bom emprego durante os últimos anos e também contei com a sorte para ter fundos que me permitem sobreviver por alguns meses ao reduzir meu custo de vida mensal. Através de bons relacionamentos, consegui um escritório temporário sem custos, o que reduz drasticamente os custos fixos de um negócio em fase inicial. Além disso, minha mãe me ajudou comprando uma mesa de reuniões para o escritório. Acredito que se empreender for mesmo a sua vocação, as pessoas mais experientes e próximas notam isso em você e te ajudam. Você acaba percebendo que muitas oportunidades são abertas por empreendedores bem sucedidos que foram ajudados quando começaram e esse ciclo nunca para. E então, as pessoas perguntam “mas você disse que era um chamado missionário, não tem nenhuma igreja ou mantenedor te sustentando?”. E a minha resposta para isso é: meu chamado é para fazer missões através de negócios e negócios são autossustentáveis, empreendedores no mundo inteiro iniciam seus negócios o tempo todo dessa mesma forma. Mas então por que será que as pessoas valorizam mais um chamado para ser pastor do que para ser um empreendedor? Eu poderia ter igrejas e mantenedores, mas isso invalidaria um modelo empreendedor puro em missões. Penso que, uma vez que esse modelo mais empreendedor é validado, todos os demais automaticamente o são, inclusive os híbridos (pessoas que vão para outros países sendo financiados por igrejas e lá podem ter oportunidades de empreender). Por isso, optei por empreender dessa forma. Um ponto chave foi que a minha igreja local entendeu a visão de negócios e missões, tem apoiado o projeto de outras formas como, por exemplo, ajudando a expandir rede de contatos e provendo mentoria espiritual. Há uma imensa diferença entre ‘empreender’ versus ‘empreender intenacionalmente para a glória de Deus respondendo um chamado para missões’. Mas não vou entrar nesse tópico agora! 🙂

Quanto preciso investir no meu negócio para começar? Nada! Ou muito pouco. Acredito que não existe falta de recursos financeiros, mas sim escassez de boas ideias estruturadas, bem como conectar essas boas ideias com quem quer investir nelas. Posso estar errado, mas a primeira meta que o empreendedor de primeira viagem precisa ter, além de manter a si mesmo, é formar um bom time usando a influência e persuasão que um bom líder possui. Se as pessoas acreditarem na sua visão, elas podem trabalhar para você até sem precisar receber dinheiro em um primeiro momento. Somente porque elas querem ajudar e fazer a diferença no mundo junto com você. Negócios inspiradores começam a partir de empreendedores visionários! Todas as pessoas estão a busca por significado de vida, atrás do sentimento de serem prestativas para algo maior e usarem o que sabem fazer de melhor para ajudar alguém. Deus conecta pessoas com chamados complementares o tempo todo!

Na empresa Arredondar durante um tour em startups organizado em São Paulo - Jan/2015
Na empresa Arredondar durante um tour em startups organizado em São Paulo – Jan/2015

Uma coisa que posso recomendar para empreendedores de primeira viagem, e que tem me ajudado muito, é aprender com empreendedores mais experientes. Uma boa forma de se inserir no contexto empreendedor brasileiro é ficando de olho nos eventos organizados via Meetup, entre eles visitas em startups de sucesso, conforme registrado nesse vídeo pot Talita Lombardi da Startup Stars onde sou entrevistado a partir do minuto 3:40 – favor desconsiderem minha inexperiência com a camera hahaha

Bom, mas mesmo com lições aprendidas, a experiência inicial adequada, vida social independente, condições financeiras e um bom time, nada disso garente que o negócio terá sucesso. Ainda assim, tudo pode dar errado e o empreendedor precisa saber conviver com esse sentimento todos os dias. Pessoalmente, também tenho convivido com esse sentimento diariamente. Mas se ficasse preocupado em excesso, não teria diferença nenhuma entre ser um empreendedor ou ser um empreendedor cristão. Creio que  Deus é quem faz e Ele está a frente de tudo. Ele transforma o meu trabalho imperfeito em estratégias e ações perfeitas. Eu erro. Ele nunca erra. Resumindo, sinto uma imensa alegria nessa jornada empreendedora e tenho percebido que é possível encontrar realização em todos os processos/meios e não só na conquista do resultado final. E todo esse sentimento de incertezas é uma ótima oportunidade de criar mais dependência na vida diária com Cristo.