Como ficar fluente em inglês sem sair do Brasil?

São Paulo/SP, 20 de Dezembro de 2016

Fim de ano se aproximando e muitos fazendo as famosas listas para o ano que vem! Ter fluência no inglês também é um dos seus objetivos para 2017? O objetivo desse artigo é justamente compartilhar 8 hábitos poderosos para ser fluente em inglês, sem precisar gastar com um intercâmbio.

No último artigo aqui falamos sobre as similaridades entre um empreendedor e um missionário. Como cidadãos globais, dominar o inglês é um fator-chave para definir o sucesso de equipes transculturais, seja para um executivo de uma multinacional, para um empreendedor que precisa captar investimentos ou fundos fora do país, ou para um missionário brasileiro que serve em outro país e precisa se comunicar com sua equipe de missionários de outros lugares do mundo ou até mesmo para aprender o idioma local a partir do inglês.

Pessoalmente, sempre tive muita dificuldade em aprender a língua oficial da Gringolândia. Estudei em um colégio onde as turmas do inglês eram separadas por notas: os melhores alunos eram da turma A e os piores eram da turma C. Eu era da turma C, mas, como tinha a simpatia de alguns professores, me deixavam na B com os meus amigos mais chegados mesmo sem eu merecer. Acho que era pior ainda porque eu não conseguia acompanhar. O inglês não entrava na minha cabeça de jeito nenhum. Meus pais tentaram me colocar em diferentes escolas particulares. Mas eu não rendia, não aprendia e desmotivava depois de algumas aulas porque ficava atrasado no ritmo quanto aos demais. Acho que nenhum método funcionava no meu caso e eu comecei a desgostar do idioma, mesmo nunca negando o fato de ser fundamental para construir uma carreira profissional em alto nível.

Um amigo da faculdade tinha feito intercâmbio na Inglaterra e comecei a planejar e sonhar com um intercâmbio nas Olimpíadas de Londres em 2012, afinal, poderia me encaixar em qualquer vaga temporária de trabalho durante os jogos. Porém, no final de 2010 fui selecionado para a entrevista final com a vice-presidente dinamarquesa de uma multinacional e logicamente a conversa seria em inglês. Tive a brilhante ideia de criar um arquivo no Excel com perguntas e respostas em inglês com essas coisas que geralmente falam nas entrevistas de trabalho. Decorei tudo! Mas a mulher não perguntou nada do que era óbvio. Eu não entendia o que ela perguntava e ela não entendia o que eu tentava responder mesmo sem entender a pergunta. Só sei que, pela graça de Deus, fui contratado, me mudei para Curitiba e teria que aprender inglês na raça e o mais rápido possível. Quando cheguei na empresa, todos dominavam o idioma, meu chefe era um dinamarquês que não sabia português (obviamente!), quase todos os e-mails e apresentações eram em inglês. Ok, a rotina diária me ajudou a aprender, mas quero compartilhar abaixo os 8 hábitos que aceleraram meu aprendizado do idioma que saiu do básico do simples para a fluência em pouco tempo e tenho melhorado gradualmente desde então. Na época, meu objetivo era ficar imerso no idioma, mesmo morando no Brasil.

Yes, you can!

Hábito 1: leia livros em inglês antes de dormir, mas em voz alta! Essa prática me ajudou muito porque aprendia sobre gramática, pronúncia e melhorava a audição, tudo ao mesmo tempo. Escolha livros que sejam bem interessantes, mesmo que você não entenda nem metade do que está lendo no começo. Acho importante a leitura antes de dormir porque seu cérebro dorme com essa influência do idioma. Não sei se existe algum fator psicológico de aprendizado nisso, mas me ajudava a processar.

Hábito 2: faça suas listas em inglês! Se você não faz listas, comece a fazer. Pode ser lista de mercado, de compras de Natal, de coisas que você gosta, sobre seu plano de carreira, sobre seus objetivos para o próximo ano, etc. Esse exercício, se feito de forma contínua, ajuda a decorar e expandir seu vocabulário. É perigoso você começar a comprar coisas que você nunca comprou, só para aprender o nome em inglês…

Hábito 3: mude o idioma das suas redes sociais! Facebook, instagram, snapchat, twitter, todos os outros que não sei o nome. Isso ajuda a se acostumar com as palavras no inglês.

Hábito 4: ouça muito! Eu costumava gravar podcasts semanalmente em um pendrive e ouvia dois por dia, um na ida e outro na volta do trabalho. Isso porque na época eu morava em Curitiba, se fosse hoje no trânsito de São Paulo daria para ouvir uns 6… Minha fonte principal era o English as Second Language (ESL) de um simpático e didático professor de uma universidade da Califórnia. O podcast dele possui várias categorias, mas eu só ouvir sobre Business. E também ouvia muitos podcasts da CNN, The Economist e Freakonomics. Ouço podcasts em inglês até hoje, só que agora voltados para startups ou cristãos tipo os caras da TheoTech.

Hábito 5: comece a frequentar um culto em inglês! Nos primeiros cultos eu não entendi nada do que foi falado. Foi incrível perceber a evolução quando em cerca de 12 meses depois eu já entendia acima de 90% das pregações. Além disso, tinha oportunidades de conversar com nativos que na maioria das vezes são muito receptivos com pessoas que frequentam o culto para aprender. Além de todo o aprendizado, você ainda pode sair de lá bastante edificado espiritualmente. Além desse culto em inglês, que normalmente é pela manhã de acordo com a cultura da igreja americana, eu também ia na minha própria igreja no culto da noite. Então um hábito não substitui o outro! rs

Hábito 6: aproveite as oportunidades da globalização! Se você trabalha em uma empresa, dê a ideia para o seu chefe de organizar um English Day, um dia específico onde as pessoas só podem se comunicar em inglês no escritório. Além de te ajudar, seu chefe vai gostar da sua iniciativa. Se você já trabalha em uma empresa com alcance global, marque reuniões semanais de meia hora com pessoas de diferentes países que sejam da mesma área que você. Eu fazia isso, deixava 3 ou 4 perguntas prontas e ficava só escutando e aprendendo com eles, tanto o inglês como também tecnicamente. Seu chefe também vai gostar da sua pró-atividade em se conectar com o resto do mundo. Agora, se você não tem essa oportunidade do trabalho, ache pessoas no LinkedIn e marque um Skype para bater um papo. É preciso coragem, mas lembre-se dos dólares que você está economizando com essas iniciativas…

Hábito 7: faça aula de conversação com professores nativos! Eu não podia deixar a escola de inglês de fora do processo de aprendizado. Mas eu aprendi mil vezes mais com professores nativos. Se puder pagar e couber na agenda, faça aulas individuais e todos os dias da semana, mesmo que seja por 30 ou 40 minutos após o seu expediente.

Hábito 8: fique amigo de um gringo! Fiz amizades com estrangeiros que moravam em Curitiba e falava todos os dias com eles para melhorar o inglês. Pude também aprender sotaques diferentes e o ouvido foi acostumando. Como encontrar essas pessoas? De várias formas, cheguei até a ir em hostel para conhecer os gringos e sair com eles.

Perder o medo de falar foi talvez o maior desafio, mas depois percebi que em menos de 2 anos com os hábitos acima, meu inglês era melhor do que meus amigos que fizeram intercâmbio, alguns até por mais de 1 ano – pelo menos daqueles que eram próximos a mim. Talvez porque a vontade de estar com outros brasileiros não deve ser muito fácil de controlar, ainda mais longe da família, mesmo que essa prática seja bastante prejudicial no aprendizado do idioma. Bom, não sei se estou certo ou errado, também acho que nada substitui a vivência em outro país pelo lado cultural e ainda tenho o sonho de morar fora do Brasil. Esse é apenas um relato da minha experiência pessoal e quem sabe pode ser útil para você também na sua jornada, seja empreendedora, missionária ou ambas!!! Have fun!

On mission,

paulo