Business as Mission: o que é? como? por onde começar?

Lins/SP, 7 de Julho de 2017

Assim como Gutenberg mudou o mundo para sempre quando a palavra impressa desafiou a palavra falada, a globalização e geração Zuckerberg estão fazendo o mesmo nesse milênio. Uma dessas mudanças tem sido BaM – Business as Mission. Cansados de apenas emitir cheques para o avanço de missões, pessoas de negócios – que não são missionários por profissão – têm visto a oportunidade deles em participar pessoalmente em missões globais através do ministério no mercado de trabalho em seu nível mais macro.

BaM não é algo novo

Negócios e missões tem sido parte do Cristianismo pelo menos desde Priscila e Áquila (Atos 18). Usando negócios, esse casal empreendedor se tornou responsável por três igrejas domésticas em três cidades diferentes: Corínto (Atos 18:26), Éfeso (1 Coríntios 16:19) e Roma (Romanos 16:5).

Profit for the Lord, o clássico livro de William Danker, revela alguns dos mais recentes esforços ocidentais (Morávios e Missão Basiléia) para integrar negócios e missões. O livro Today’s Tentmakers de 1979 por J. Christy Wilson, nos leva além do contrabando de Bíblias em países fechados ao Evangelho para agora viver e trabalhar neles em longo prazo.

BaM possui vários nomes

Vários nomes representam Business as Mission, demonstrando a complexidade e riscos envolvidos nesse jovem, mas crescente movimento global. Entre os termos recentemente ouvidos hoje incluem: tentmaking (fazedores de tendas), transformational business, business for blessing, missional business, great commission companies, kingdom entrepreneurs, kingdom business and business4blessing.

Criar uma termologia compreensível que integra negócios e missões de forma holística não é uma tarefa fácil. Países em que necessitam formas criativas de entrada precisamos evitar a palavra que começa com ‘m’. Termos anteriores que podem representar o uso indevido de plataformas para entrar no país (como por exemplo tentmaking) carregam muita bagagem histórica e devem ser substituídos.

Definições de BaM possuem o foco na empresa

Emergido de tentmaking, as definições de BaM tentam esclarecer e constratar os seus diferenciais. Um dos diferenciais-chave é o foco. Enquanto as definições de tentmaking tendem a ter um foco de contribuição individual, as definições de BaM preferem colocar os holofotes nas contribuições da empresa.

Por exemplo, no livro Great Commission Companies, Steve Rundle e eu fornecemos uma definição concisa e abrangente de BaM: “uma empresa socialmente responsável, geradora de receita, gerenciada por profissionais do Reino e criada para o propósito específico de glorificar a Deus e para promover o crescimento e a multiplicação de igrejas locais entre os menos evangelizados e nas regiões menos desenvolvidas do mundo”.

BaM possui propósitos múltiplos  

Os modelos BaM são tão diversos como as necessidades globais que o fazem necessário, portanto BaM consegue:

  • Dar aos empreendedores uma função na linha de frente em missões;
  • Atuar na esperança holística para os povos menos-evangelizados do mundo (PNAs);
  • Fornecer novas formas de criar riqueza sustentável – riqueza dada por Deus (Deuteronômio 8:18);
  • Atuar na geração de empregos ao invés de tomá-los ou inventá-los para permanecer em um país;
  • Ir além de aumentar riquezas familiares, mas para uso na expansão do Reino de Deus;
  • Ir além de crescer da microempresa para uma megaempresa, proporcionando melhores fontes de recursos;
  • Financiar missões localmente e em outros países;
  • Treinar expatriados e locais em modelos sustentáveis de negócios BaM;
  • Transformar sociedades através do estabelecimento do Reino de Deus em todas as áreas da vida, relacionadas ou não com o mercado de trabalho.

Negócios que integram o plano da Grande Comissão com o seu plano de negócios atingem o estágio para transformação social. Evangelismo, discipulado e multiplicação da igreja acontecem naturalmente no mercado de trabalho e nas casas dos colaboradores, sem mencionar ainda aqueles que servem no negócio que são de regiões externas ou de comunidades próximas.

Ao invés de usar os recursos do meio ambiente para obter lucro fácil, BaMers procuram formas de administrar a Criação de Deus, modelando esta prática para que todos a observem. A moral e a ética de negócios baseados na Bíblia, dentro e fora do ambiente corporativo, se tornam uma parte natural do dia a dia da empresa.

BaMers se importam com seus funcionários. Eles tendem a pagar um pouco acima do salário corrente de mercado e prover um ambiente de trabalho bem iluminado e ventilado que não ofereça riscos à saúde dos seus funcionários.

Por onde BaM tem sucesso, redenção e desenvolvimento estão sempre presentes, pois vidas transformadas por Cristo tendem a experimentar um aumento do padrão de vida devido à mudança de comportamento1. O rendimento obtido através do emprego, juntamente com as conversões ao cristianismo, tende a aumentar a riqueza. Os mais pobres entre os pobres se desenvolvem economicamente. A classe média tem a chance de se mover na escala social. Mobilidade social ascendente geralmente acontece devido ao BaM.

A mobilidade social ascendente cria um novo desafio para os empregados que seguem a Cristo: como glorificar a Deus através da nova riqueza adquirida? Educadores BaM abordaram redenção e desenvolvimento no currículo dos seus treinamentos.

BaM é arriscado

Existe pouco ou nenhum espaço para amadores em startups BaM. Packer disse que “os confrontos do amadorismo santo, que evitam a necessidade de se qualificar na área onde se espera atuar, não são aspectos de um bom cristianismo, nem de um bom negócio”.

Muitos trabalhadores cristãos bem-intencionados, mas não bem informados, iniciaram negócios que faliram diante dos seus olhos. Aproveite o tempo para obter a preparação necessária para se tornar um empreendedor transcultural bem-sucedido. Encontre BaMers e aprenda com eles. Enquanto você ainda não é um empreendedor transcultural, você pode aprender seguindo quem já é.

Empreendedores BaM são criativos

O tipo de negócio criado por empreendedores BaM varia como as suas imaginações. Aqui estão alguns exemplos:

  • Empresa de engenharia no Oriente Médio;
  • Sistema de transporte de balsas em Uganda;
  • Oficina de motocicletas na Indonésia;
  • Desenvolvimento de software e design na Índia;
  • Incubadora de negócios no Quênia;
  • Expedição de aventuras (caiaque, caminhadas, esqui e exploração de cavernas) na Noruega;
  • Fabricação de desodorantes na Tailândia;
  • Sorveteria na Ásia central;
  • Coworking de empresas BaM no México;
  • Consultoria imobiliária na Albênia;
  • Empresa de terceirização de pessoa no Camboja;
  • Consultoria na Austrália.

BaM fornece excelentes recursos

Para aqueles que buscam entrar no mundo BaM podem encontrar inúmeros recursos disponíveis. Aqui estão alguns por onde começar:

Websites: 

  • Business 4 Blessingesse website é de um negócio que deseja trabalhar com outros negócios que abençoam seus colaboradores, clientes, fornecedores, comunidades e outras influências. B4B leva muito a sério o mandado bíblico de abençoar as nações (em inglês)
  • Business Professional Network: a missão desse website é “estimular negócios em países em desenvolvimento para beneficiar comunidades, igrejas e colaboradores” (em inglês)

 Livretos: 

Lausanne Forum Occasional Paper #59 (em inglês)

Lausanne Forum Occasional Paper #59 (em português)

Livros: 

Oportunidades:

  • Global Opportunitiesesse website te deixa atualizado dos principais eventos relacionados à BaM em um nível global, no que tange à igrejas, agências missionárias e organizações profissionais (em inglês)
  • BAMmatchse você possui experiência em negócios e está procurando uma rede de pessoas com o mindset BaM localmente ou no exterior, aqui está a sua fonte. Por aqui você pode ser conectado com pensadores e empreendedores BaM do mundo inteiro (em inglês)

Preparação: 

  • Third Path: aqui você encontra um processo de 12 meses para se preparer para ser um empreendedor. A plataforma oferece treinamento, planos de ação e suporte (em inglês)
  • Okionomiaatravés de uma rede de educadores de teologia e seminários evangélicos, esse website é desenhado para ajudar os pastores à equiparem “pessoas para uma vida de discipulado, trabalho frutífero e sabedoria econômica” (em inglês)

Ram Gidoomal, atual Chairman do Movimento Lausanne, disse sobre o mundo dos negócios: “não existe outro campo que pareça tão próximo da natureza da missão de Deus”. A globalização proporcionou às pessoas de negócios uma oportunidade não somente de financiar missões, mas de participarem pessoalmente através da prática de Business as Mission localmente ou transculturalmente.

Notas

  1. Na obra The Reformation of Machismo: Evangelical Conversion and Gender in Colombia, Elizabeth Brusco (1995) documentou como as conversões para evangélicos protestantes transformaram famílias inteiras entre os colombianos. Esse modelo, que acontece de baixo para cima, transformou mulheres, crianças, homens, casamentos, a coletividade, e consequentemente, toda a sociedade, porque causou um curto-circuito no complexo de machismo presente. Bebias alcóolicas (20-40% do orçamento familiar), tabagismo, jogos de azar, prostitutas, relações extraconjungais, individualismo, proezas físicas, agora proibidas, proporcionaram novos recursos para as famílias, dessa forma, aumentando a qualidade de vida das mesmas.

Referência

Brusco, Elizabeth E. 1995. The Reformation of Machismo: Evangelical Conversion and Gender in Colombia. Austin, Tex.: University of Texas Press.

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Dr. Tom Steffen é professor emérito de Estudos Transculturais da Cook School of Intercultural Studies na Biola University. Ele é especializado em multiplicação de igrejas, oralidade, honor and shame, e também em Business as Mission. Ele e sua família viveram 15 anos na Filipinas atuando na plantação de igrejas e consultoria.

Tradução feita por: Paulo H.