Acelerando na Holanda

Doha/Catar, 2 de Agosto de 2016

Escrevo do oriente médio enquanto tomo um café no aeroporto de Doha. Depois de algumas boas reuniões na Holanda, estou a caminho de Jakarta na Indonésia para o Young Leaders Gathering que já tinha compartilhado sobre esse evento aqui. Esse texto na verdade é direcionado para aqueles que querem saber mais sobre como a aceleradora de negócios têm se desenvolvido até aqui, bem como contar as novidades holandesas!!!

Aeroporto em Doha, Catar
Aeroporto em Doha, Catar

Identidade: depois de vários meses estudando, testando infinitos insights e mudando de um nome para outro, finalmente chegamos em um consenso. O nome da aceleradora é Bluefields Develoment. ‘Blue’ derivado do termo ‘blue oceans’ que representa um mercado inexplorado ou um produto único no mercado. ‘Fields’, é claro, derivado de ‘mission fields’ ou ‘campo missionário’. Como uma plataforma que desenvolve negócios (projetos empreendedores), não preciso nem explicar a origem de ‘development’. O nome foi escolhido em inglês justamente porque queremos uma visão global desde o primeiro dia, uma vez que a nossa razão de existir é “transformar vidas através da nossa vocação empreendedora cristocêntrica. Primeiro do Brasil e depois no mundo todo”. Também definimos nossa identidade visual (logomarca) mas vamos tentar manter essa em sigilo pelo menos por enquanto. Mas posso adiantar que toda a equipe ficou emocionada quanto nossa designer apresentou a logo final. Ela é simples, criativa e cheia de significado para todos nós.

Negócios: apesar de um pipeline atual de 14 projetos, não conseguimos dar conta de todos. Estamos acelerando 7 negócios de forma ativa, sendo 4 deles na área de moda sustentável/têxtil e os outros 3 na área de software/app. Os projetos estão em estágios diferentes de desenvolvimento e, como estamos no nosso ‘ano zero’, temos aprendido muito em cada um deles e, durante todo o processo, aprendendo a trabalhar como equipe.

Nosso modelo: o verbo que usamos é co-empreender. Isso mesmo, nós co-empreendemos com os empreendedores, os donos dos negócios. É como se eles ganhassem uma equipe de sócios que, por um determinado tempo, se empenham juntos para alavancar o negócio, otimizando assim o impacto social-missional-econômico através do mesmo. Cada projeto possui um modelo específico de impacto, o que podemos chamar de ‘tese de mudança’. Em contrapartida, compartilhamos os resultados financeiros desses desenvolvimentos com a empresa acelerada, como uma JV – Joint Venture – na prática.

Lançamento: estamos bastante animados e determinados em lançar a Bluefields Development em Abril/2017, inicialmente na conferência do Vocare e depois também em um evento específico para a comunidade empresarial. Seguimos buscando essa meta com todas nossas energias e ainda há muito o que ser feito até lá. Estamos trabalhando ativamente para desenvolver a melhor estrutura possível, desde a esfera jurídica e processos internos de gestão e governança, passando por casos de sucesso dos projetos atuais, bem como todo o processo de seleção de novos projetos e redes de mentores de negócios/missões e investidores/fundos.

Recentemente, iniciamos de forma mais ativa a captação de recursos (investimentos) para as startups em aceleração. Nos últimos dias, na Holanda, por exemplo, além de outros encontros, nos reunimos com um investidor-anjo que já abriu mais de 35 empresas BaM na Janela 10-40, com uma multinacional líder global no seu setor que está abrindo um fundo para empreendedorismo e com um dos maiores bancos de fomento para projetos empreendedores de impacto social do mundo. Fomos muito bem recebidos pelos holandeses, descobrimos que não existe muitas interações comerciais entre Brasil e Holanda e acreditamos que isso pode mudar! Tivemos reuniões incríveis e estamos animado com o que pode acontecer, visto que rebatizamos a capital holandesa de ‘Bamsterdam’ e pudemos também conhecer o interior desse belo país ao saltar de trem de uma reunião para outra. Além de tudo, fomos corados com um incrível jantar com Arleen Westerhof, fundadora e presidente do European Economic Summit.

Impressionado com a quantidade de bikes em Amsterdam. Não importa a idade ou classe social, os ciclistas são prioridades no trânsito.
Impressionado com a quantidade de bikes em Amsterdam. Não importa a idade ou classe social, os ciclistas são prioridades no trânsito.

É preciso muita raça, coragem e persistência para iniciar algo do zero e do tamanho que almejamos. Tenho visto a bravura no olhar e no falar de cada um dos Bluefield Developers. Assim como resiliência. Persistir mesmo com recursos bastante limitados e encontrar criatividade em meio ao caos. Um exemplo? No mesmo dia que iniciei essa viagem batizada de #20diasmalucos, experimentei a primeira grande invertida de um investidor, foi uma situação bastante desconfortável na verdade. Basicamente, entre outras coisas, ele disse que eu não sabia direito o que estava vendendo. E ele tinha razão! Foi uma péssima apresentação. Fui para a reunião sem ter preparado aquela boa história para contar, sem um racional estratégico por trás. Mas no final foi ótimo porque pude observar as áreas que ainda precisamos avançar bastante até ficarmos prontos.

Como diz aquela famosa frase: “empreender é se jogar do alto de um prédio e construir um avião no meio do caminho”. Sendo assim, continuamos trabalhando na montagem desse avião. Estamos em plena queda livre! #BluefieldsDev #20diasmalucos #partiuIndonésia

Em missão,

paulo