A maior potência econômica do mundo

Curitiba, 7 de Julho de 2016

O Brasil está em crise, o que não é novidade. Mas em conversa com alguns amigos economistas, concordamos que não estamos diante da pior crise da nossa economia, nem de longe. A crise econômica dos anos 80 foi bem pior, tanto que ficou conhecida como ‘A Década Perdida’. Recentemente, li um artigo na The Economist sobre a crise brasileira e o título era ‘A Geração Perdida’, analisando que era muito mais do que uma crise puramente econômica. Ora, sabemos que o Brasil ainda é uma democracia em formação, não faz tanto tempo assim que saímos da ditadura militar. Meus pais e tios vivenciaram tudo aquilo. Mesmo assim, segundo dados do FMI, em 2014 (somente há 2 anos) o Brasil era a 7ª maior economia do mundo, ainda na época atrás de EUA, China, Japão, Alemanha, Reino Unido e França.

A grandeza econômica é medida pelo PIB – Produto Interno Bruto – que nada mais é do que a soma da produção de produtos e serviços de um país, ou seja, quanto que um país gera de riqueza a partir dos seus empreendedores. Sim, são os empreendedores e suas empresas os responsáveis por gerar riqueza aos seus países. Isso não quer dizer que países de maior PIB são melhores que outros, uma vez que o PIB per capita (PIB dividido pelo total de habitantes do país), ou seja, a distribuição dessa riqueza também é um dos principais indicadores de desenvolvimento. Podemos analisar o exemplo do estado da Califórnia. Se a Califórnia fosse um país, ela seria a 6ª maior economia do mundo com 39 milhões de habitantes. Sabemos que a distribuição da riqueza naquele estado não é tão boa assim, pois a cultura ‘Bevery Hills’ de acumulação de riqueza por uma minoria é evidente. A indústria cinematográfica e, principalmente, o Vale do Silício colaboraram muito para o grandioso PIB californiano.

Depois de pesquisar e refletir muito sobre a crise, finalmente tomei coragem para compartilhar uma proposta de soluções para o Brasil (não, não quero me lançar na política agora!) e gostaria de explicar o porquê dessas escolhas. Na minha opinião, seriam três soluções principais:

  1. Educação. Não há futuro para as gerações seguintes sem uma educação de qualidade acessível. Eu mesmo posso dizer que estudei Economia em uma das melhores universidades públicas do país, mas matava aula para trabalhar porque aprendia muito mais na prática do que na sala de aula. Claro que não é só isso, são muitos os problemas do nosso atual sistema educacional, desde o ensino básico ao universitário. Por isso, defendo o investimento pesado em educação como um pilar central para o futuro do país. Isso é o que muitas pessoas sensatas concordam, mas acontece que o nosso governo possui um orçamento onde cerca de ¾ ou mais já está comprometido, ou seja, não existe muita flexibilidade para melhorar o investimento público. Isso vale também para a saúde, infraestrutura e outras áreas. Dessa forma, essa primeira solução é totalmente dependente da próxima;
  2. Empreendedorismo. Tenho muitos amigos que trabalham com ONGs, projetos sociais e etc, eu mesmo me voluntario e ajudo quando posso. É incrível ajudar as pessoas e fazer o bem pelo próximo. Além de tudo, essas experiências contribuem muito na construção de uma visão de mundo mais realista. Porém, do ponto de vista econômico, a filantropia e a maioria dos trabalhos sociais não produzem riqueza, não geram valor sustentável para a comunidade. Como diz um bom amigo: “é como enxugar gelo!”. Apenas um “parênteses” para meus amigos ONGueiros: por favor não levem a mal, sei que alguns de vocês estão engajados em projetos de desenvolvimento econômico ao empoderar comunidades, incentivando modelos empreendedores. Vejamos o caso do Haiti, por exemplo. O Haiti foi inundado por mais de 10.000 ONGs após o terremoto de 2010 e é conhecido como a ‘República das ONGs’. Inicialmente, as ONGs levantaram muitos recursos e o PIB haitiano cresceu momentaneamente, mas têm despencado nos últimos anos e em 2015 fechou em 1.7%, segundo dados do World Bank. Muita gente enriqueceu nesse período, mas com certeza não foram os haitianos. Agora, imagine se fossem 10.000 empresas e projetos empreendedores iniciados no Haiti, pelos próprios nativos. Muito provavelmente o cenário seria outro e o país estaria se desenvolvendo de forma sustentável no longo prazo. A África é um outro grande exemplo onde o modelo assistencialista não funciona. Já parou para pensar porque será que os países africanos não se desenvolvem mesmo com bilhões e bilhões de dólares injetados por lá todos os anos? Assista aqui um teaser de um documentário que explora mais essa questão. Voltando ao Brasil, acho difícil algum outro país no mundo com um potencial mais inexplorado do que o nosso, tanto de recursos naturais como de capital humano. Isso mesmo, o nosso potencial mesmo! Poucos no mundo são mais empreendedores e criativos do que nós, poucos no mundo são tão resilientes quanto nós, poucos no mundo são tão relacionais e adaptáveis para novas situações e culturas como nós, poucos no mundo detém um passaporte tão bem recebido como o nosso, em qualquer lugar do planeta. Poucos no mundo falam português (um dos idiomas mais complexos que existe!), ou seja, muitos de nós possuímos a habilidade de aprender qualquer outra língua. Sabemos que nos EUA não é assim. Ora, bem como na liderança global de missões, também existe uma transição de hemisférios no poderio econômico, migrando de países do norte para países do sul. Em outras palavras, para crescer, o Brasil precisa empreender mais! A matemática é simples e a história também. Claro, essa segunda solução também é completamente dependente do item abaixo, como também da criação de políticas públicas e econômicas que incentivem o Brasil se tornar, de fato, uma das nações mais empreendedoras do mundo.
  3. Líderes com estilo de vida cristocêntrico. Imagine se 50% dos 40 milhões de evangélicos fossem evangélicos de verdade. Talvez uma utopia. Ou talvez toda essa crise econômica, moral e de valores que estamos passando hoje, seja para convocar a igreja para orar, para transformar o caráter do cristão, para avisar a igreja cristã brasileira de que alguma coisa está errada com a prática do seu Evangelho. Há uma escassez de líderes do tipo ‘gente séria e comprometida com o Reino’. Mas, sou otimista quanto a esse terceiro tópico. Creio e vejo que Deus têm levantando uma nova geração. Jovens que já estão mudando o Brasil, em várias áreas da sociedade. E não estou falando de pastores, muito pelo contrário. Estou falando de empreendedores, profissionais de várias áreas, talvez até mesmo políticos, enfim, líderes que estão levando o Evangelho puro e simples para diferentes esferas da sociedade, onde a igreja local não consegue chegar, através do seu estilo de vida cristocêntrico. Sim, sem dúvida Deus têm convocado e trabalhado através da vida de milhares (talvez milhões) que já estão impactando o Brasil através da sua vocação.
A ordem e progresso, de forma sustentável no longo prazo, devem ser iniciados com líderes cristãos fazendo a diferença na sociedade brasileira.
A ordem e o progresso, de forma sustentável no longo prazo, devem ser conquistados por líderes cristãos fazendo a diferença em todas as esferas da sociedade brasileira.

Claro, não é tão simples quanto escrever um artigo. Porém, vemos na história que muitos países que se tornaram grandes potências globais, assim fizeram depois de grandes crises, sejam econômicas, militares ou desastres naturais. Por que será que até hoje se come muito pouco na França? Você já foi em algum restaurante francês?! O prato é lindo, bem decorado, caríssimo, mas a quantidade de comida é muito pequena. Isso porque os franceses se acostumaram a comer pouco porque passaram fome depois da Guerra. Atualmente, a economia francesa é maior que a do Brasil, mesmo sendo um país de 66 milhões de pessoas frente a 200 milhões de brasileiros, bem contam com uma distribuição de renda muito melhor que a nossa por aqui.

Desta forma, quero encerrar esse artigo com uma opinião pessoal, talvez ousada e possível para alguns, talvez ingênua e excessivamente otimista para muitos. A verdade é que acredito que o Brasil será a maior potência econômica do mundo dentro de 30-40 anos. Também acho que depende de nós, cristãos, fazer a nossa parte em todas as esferas da sociedade. Podemos sim deixar a ‘Geração Perdida’ no passado e transformar a história das próximas gerações. É um cenário de crise, desemprego, escândalos de corrupção e tudo mais? Sim. Pode ficar pior? Sim, com certeza vai ficar ainda pior. Mas…talvez tudo isso seja mesmo necessário.

Em missão,

paulo